Sorry, you need to enable JavaScript to visit this website.

Imunoterapia

O tratamento do câncer vem evoluindo com o surgimento de novos tipos de medicações e estratégias de tratamento ao longo das últimas décadas. Neste contexto, a imunoterapia tem emergido como uma importante ferramenta no tratamento de vários tipos de câncer, ao lado de outras modalidades como quimioterapia, terapia-alvo, hormonioterapia, além de a cirurgia e radioterapia.

Imunoterapia

O tratamento do câncer vem evoluindo com o surgimento de novos tipos de medicações e estratégias de tratamento ao longo das últimas décadas. Neste contexto, a imunoterapia tem emergido como uma importante ferramenta no tratamento de vários tipos de câncer, ao lado de outras modalidades como quimioterapia, terapia-alvo, hormonioterapia, além de a cirurgia e radioterapia.

As células do câncer possuem a capacidade de se proliferar continuamente e de utilizar mecanismos para enganar o sistema imunológico, impedindo-o de eliminá-las do organismo. Esses mecanismos são variados, podendo ser, por exemplo, uma espécie de camuflagem para as células cancerosas não serem reconhecidas pelo sistema imunológico ou mesmo a produção de substâncias que suprimem a ação das células imunes. Assim, a imunoterapia consiste em uma forma de tratamento que estimula o sistema imunológico, com objetivo de fazê-lo reconhecer as células tumorais e tornando-o, então, capaz de combater as células do câncer.

Existem vários tipos de imunoterapia, desde medicações mais antigas (como a interleucina-2) até a classe mais nova de medicamentos, que são claramente mais eficazes no combate ao câncer e possuem menos efeitos colaterais. Essa nova classe é chamada de "inibidores de checkpoints", os quais são pontos do sistema imunológico desenhados para regular a sua ação e impedir que atue continuamente, o que evita reações inflamatórias graves e doenças autoimunes.

Os inibidores de checkpoint são compostos pelos inibidores de CTLA-4, de PD-1 e de PDL-1. Cada uma dessas moléculas são pontos específicos do sistema imunológico utilizados pelas células cancerosas para suprimir a sua atuação e, assim, não serem eliminadas do organismo. No Brasil, estão aprovadas várias medicações desse tipo, como ipilimumabe, nivolumabe, pembrolizumabe, cemiplimabe, atezolizumabe, avelumabe e durvalumabe. Os estudos mostram benefício dessas medicações em vários tipos de câncer, inclusive com respostas a longo prazo. Infelizmente, a imunoterapia não é efetiva em todos os tipos de tumores e, por isso, não é indicada para todo paciente oncológico.

No Brasil, o uso de imunoterapia está aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) para o tratamento do câncer de pulmão, câncer de mama triplo-negativo, melanoma, câncer de rim, câncer de bexiga, câncer de esôfago, câncer gástrico, câncer de cabeça e pescoço, linfoma de Hodgkin clássico e carcinoma epidermoide de pele. Importante ressaltar que, mesmo nesses tumores, a imunoterapia não se encontra indicada em toda situação, estando na dependência do estágio em que a doença se encontra, dos tratamentos prévios realizados e do perfil do paciente.

Os efeitos colaterais da imunoterapia estão relacionados a um excesso de estimulação do sistema imunológico contra as células do próprio organismo do paciente. Assim, por exemplo, se houver estímulo excessivo das células imunes contra a pele do paciente, pode haver uma erupção na pele semelhante a uma alergia (chamado de rash) ou perda do pigmento da pele (chamado de vitiligo); contra o intestino, provoca diarreia; contra o pulmão, pneumonite (inflamação do pulmão); contra a tireoide, hipotireoidismo ou hipertireoidismo; entre outros. Em geral, essas reações são leves e manejáveis, mas existem formas graves de efeitos colaterais que exigem muita atenção do médico e do paciente. Por isso, qualquer sintoma diferente deve ser relatado ao médico.

Estudos sugerem também que as bactérias presentes no intestino (denominado de microbiota intestinal) podem interferir na eficácia da imunoterapia. Todos nós temos várias bactérias convivendo normalmente no intestino, sendo importantes para o bom funcionamento do nosso organismo e do sistema imunológico. Porém, o perfil de bactérias de cada organismo varia de acordo com diversos fatores, como a alimentação e o uso de certos medicamentos, particularmente antibióticos, probióticos e medicamentos que bloqueiam a acidez do estômago (chamado de inibidores de bomba de prótons como omeprazol, pantoprazol etc). Uma alimentação saudável, com consumo de frutas e verduras e baixa ingestão de carne vermelha e de carboidratos simples é favorável para uma boa microbiota intestinal. Por outro lado, uso de antibióticos, probióticos e inibidores de bomba de prótons interferem negativamente na flora intestinal. Por isso, esses medicamentos devem ser evitados durante a imunoterapia, quando possível.

Desta forma, a imunoterapia é um campo em plena expansão na oncologia, com benefício em diversos tipos de câncer. Embora nem todos os tipos de tumores e nem todos os pacientes se beneficiem desse tratamento, o conhecimento vem avançando ao longo dos anos, e novas estratégias contra o câncer vem sendo desenvolvidas para aumentar a sobrevida e melhorar a qualidade de vida dos pacientes.

Referências bibliográficas

1 - Esfahani K, Roudaia L, N. Buhlaiga N, et al. A review of cancer immunotherapy: from the past, to the present, to the future. Curr Oncol. 2020;27(Suppl 2):S87–97.
2 - Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Disponível em: http://portal.anvisa.gov.br/. Acessado em 27 de junho de 2020.
3 - Postow MA, Sidlow R, Hellmann MD. Immune-related adverse events associated with immune checkpoint blockade. N Engl J Med 2018;378:158-68.
4 - Helmink BA, Khan W, Hermann A, et al. The microbiome, cancer, and cancer therapy. Nature Medicine. 2019;25:377–88.
5 - Spencer CN, Gopalakrishnan V, McQuade J, et al. The gut microbiome (GM) and immunotherapy response are influenced by host lifestyle factors. AACR Annual Meeting 2019;abstract 2838.
6 - Derosa L, Routy B, Enot D, et al. Impact of antibiotics on outcome in patients with metastatic renal cell carcinoma treated with immune checkpoint inhibitors. J Clin Oncol ASCO Annual Meeting 2019;35:abstr 462.
7 - Maier L, Pruteanu M, Kuhn M, et al. Extensive impact of non-antibiotic drugs on human gut bactéria. Nature. 2018;555(7698):623-28.

Voltar

Veja mais desse tema

Posso fazer exercícios físicos quando estiver em tratamento?

Posso fazer exercícios físicos quando estiver em tratamento?

Saiba mais
Sintomas e sinais de emergência: quando correr para o hospital?

Sintomas e sinais de emergência: quando correr para o hospital?

Você sabe o que é uma emergência oncológica?

Emergências oncológicas são situações incomuns na pessoa com câncer, que podem ser causadas pela própria doença ou pelo tratamento e, que necessitam de um atendimento médico imediato para evitar maiores problemas. 1

Saiba mais
Tratamentos oncológicos orais

Tratamentos oncológicos orais

Apesar de genericamente englobadas sob o termo quimioterapia oral, as terapias oncológicas administradas por via oral, através de cápsulas ou comprimidos, representam uma gama de diferentes classes de medicamentos, incluindo não apenas os quimioterápicos propriamente ditos, mas também os agentes hormonais, as drogas-alvo e os agente imunomoduladores. Devido aos diferentes mecanismos de ação, efeitos colaterais e particularidades na administração de cada uma dessas medicações, é importante que haja uma clara troca de informações entre a equipe de cuidados médicos e os pacientes antes do início do tratamento, para assegurar não apenas maior segurança, como também maior aderência, e consequentemente eficácia, do plano terapêutico proposto.

Saiba mais
Conheça Mais sobre os Tipos de Nutrição

Conheça Mais sobre os Tipos de Nutrição

Os alimentos que consumimos, são divididos em dois grandes grupos: macronutrientes e micronutrientes. Os macronutrientes são basicamente proteínas, gorduras e carboidratos. Já os micronutrientes, são as vitaminas e minerais. E quando ocorre uma falta desses nutrientes, ocorre o que chamamos de desnutrição.

Saiba mais
Importância da Nutrição no Resultado das Cirurgias

Importância da Nutrição no Resultado das Cirurgias

Todo procedimento cirúrgico, por menor que seja, envolve muitas variáveis que interfere no seu sucesso E, por isso, todo cuidado e o máximo de preparação devem ser tomados para inimizar os riscos e maximizar a segurança dos pacientes.

Saiba mais
O que é Quimioterapia?

O que é Quimioterapia?

Quimioterapia, ou "quimio", é uma palavra envolta em ansiedade, dúvidas e preconceitos. Quando é mencionada em um plano de tratamento de algum paciente com neoplasia, gera as mais diferentes reações e, em grande parte das vezes, por medo do desconhecido ou por relatos de experiências anteriores de conhecidos. Mas afinal, o que é a quimioterapia e para que ela é utilizada?

Saiba mais
Subir