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O tratamento do câncer pode afetar a fertilidade?

Ao receber o diagnóstico do câncer, o médico e o paciente devem conversar sobre a ação dos tratamentos na fertilidade e possíveis soluções para preservá-la

O tratamento do câncer pode afetar a fertilidade?

Os tipos de tratamento do câncer podem afetar a fertilidade de diferentes formas, seja por danos causados aos óvulos, espermatozoides e órgãos do sistema reprodutor, alterações hormonais ou incapacidade de o útero manter uma gestação. No entanto, há soluções que permitem preservar a fertilidade de homens e mulheres. Saiba quais são e para quem são indicadas.1

Como o tratamento do câncer afeta a fertilidade

Quimioterapia

  • Homens – alguns tipos de medicamentos usados podem diminuir ou interromper a produção de espermatozoides em homens adultos. Essa alteração pode ser temporária ou permanente, dependendo da intensidade do tratamento. Em crianças, a quimioterapia pode prejudicar as células em formação.2,3
  • Mulheres – podem ser causados danos aos óvulos e aos folículos ovarianos – estruturas nos ovários que abriga os óvulos e os hormônios sexuais. A quimioterapia também pode interromper o ciclo menstrual ou causar irregularidades e, mesmo que a menstruação volte depois do tratamento, não significa que a mulher está fértil. É necessário consultar um médico especialista em fertilidade para avaliar o caso. Outra consequência possível é a menopausa precoce, principalmente em meninas que fizeram a quimioterapia antes da puberdade e em mulheres que voltaram a menstruar depois do tratamento.4

Radioterapia

  • Homens – as radiações usadas na radioterapia para destruir as células cancerígenas podem afetar os testículos, área pélvica e glândula pituitária. Uma vez que estes comandam a produção de espermatozoides e testosterona, principal hormônio sexual masculino, o tratamento pode diminuí-la.2,3
  • Mulheres – além de induzir a menopausa precoce, doses altas de radiação no abdome ou região pélvica podem destruir alguns ou todos os óvulos, provocando a infertilidade. Caso a região afetada seja a glândula pituitária, podem ocorrer alterações na produção de hormônios femininos pelo ovário. Ainda, se o efeito do tratamento no útero causar cicatrizes, pode haver limitação da expansão durante a gravidez, aumentando os riscos de aborto.4

Hormonioterapia

  • Homens – esse tipo de tratamento é usado, geralmente, para combater o câncer de próstata. A hormonioterapia pode diminuir a produção de espermatozoides, que tende a voltar ao normal após o final do tratamento.2,3
  • Mulheres – seus efeitos na fertilidade ainda não são muito conhecidos, mas podem causar bloqueio temporário da ovulação se induzirem a menopausa.4

Imunoterapia

  • Homens - os efeitos desse tipo de tratamento na fertilidade masculina ainda não são conhecidos.2,3
  • Mulheres – não há muitos estudos sobre os efeitos da imunoterapia na fertilidade. Mas, ao que se sabe, é que alguns medicamentos usados podem causar insuficiência do ovário, sendo irreversível em alguns casos, e malformações no feto, caso a mulher engravide durante o tratamento.4

Cirurgias

  • Homens – a cirurgia que remove os dois testículos impede a produção de espermatozoides de forma definitiva. Já as cirurgias para outros tipos de câncer, como próstata, bexiga, intestino grosso, espinha ou reto, dependendo de como forem realizadas e do tamanho do tumor a ser retirado, podem causar danos nos nervos e tornar um homem incapaz de ejacular.2,3
  • Mulheres – a infertilidade ocorre quando o útero precisa ser retirado ou quando os dois ovários são removidos e não há mais produção de óvulos.4

Tipos de tratamentos para preservar a fertilidade em pacientes com câncer

Ao receber o diagnóstico do câncer, é importante que o paciente converse com seu médico sobre as possibilidades de preservar a fertilidade, caso haja vontade de ter filhos. O melhor momento de optar por métodos de preservação é antes do início do tratamento. Além disso, é preciso avaliar as condições de saúde, gravidade e estágio do câncer para saber quais procedimentos são viáveis, pois alguns deles devem ser feitos antes do início do tratamento contra a doença3.”

Preservação da fertilidade em pacientes homens

  • Congelamento do sêmen - o sêmen do paciente é coletado em várias amostras e congelado a -196ºC por tempo indeterminado. No momento adequado, ele pode ser descongelado e usado para inseminação artificial ou fertilização in vitro.5
  • Congelamento do tecido dos testículos - quando a quantidade de espermatozoides no sêmen é comprometida, é possível encontrar amostras na pele dos testículos. Dessa forma, o médico realiza uma biópsia e o tecido é congelado para ser usado no futuro.5

Preservação da fertilidade em pacientes mulheres5

  • Congelamento de óvulos - a mulher passa por um tratamento hormonal para induzir a ovulação, que dura entre dez e 20 dias. Os óvulos são colhidos de dentro dos ovários e congelados para serem usados no futuro na inseminação artificial ou fertilização in vitro.
  • Congelamento do tecido dos ovários - é uma alternativa para pacientes que não podem passar pelo tratamento hormonal para induzir a ovulação. Em uma cirurgia minimamente invasiva, chamada videolaparoscopia, uma parte dos ovários é retirada e congelada até o momento adequado para ser reimplantada. Ainda é uma opção com pequenas taxas de sucesso.
  • Fertilização in vitro – nesse caso, o óvulo é colhido e fertilizado com o esperma do parceiro ou de um doador, gerando um embrião, que será congelado por tempo indeterminado. É a opção com maior taxa de sucesso de gravidez.
  • Transposição do ovário - para evitar que sejam prejudicados pela radioterapia, os ovários são colocados por trás do útero durante o período do tratamento ou em outro local distante do que receberá as radiações.

É possível preservar a fertilidade de crianças e adolescentes com câncer?

A quimioterapia e radioterapia, principalmente, em crianças e adolescentes podem prejudicar a produção de óvulos e espermatozoides e até danificar os órgãos reprodutores permanentemente. Em adolescentes que já passaram pela puberdade, há chances de preservar a fertilidade ao fazer o congelamento de óvulos e espermatozoides, como no caso de adultos.6

Em adolescentes que ainda não passaram pela puberdade, a preservação da fertilidade é mais complicada. Para os meninos, ela não é possível pois ainda não há produção de espermatozoides. Já para meninas, é possível retirar e congelar partes do ovário para serem usadas no futuro, mas para isso é necessária uma cirurgia e o procedimento é considerado experimental.6

Em menores de idade, qualquer procedimento para a preservação da fertilidade depende do consentimento dos responsáveis. É importante conversar com a equipe médica sobre todos os detalhes, necessidades e riscos envolvidos.6

 

Referências

1 - Instituto Paulista de Ginecologia e Obstetrícia. Preservação da fertilidade em pacientes com câncer. Disponível em: https://www.ipgo.com.br/wp-content/uploads/2011/07/medidafinal.pdf. Acesso em outubro/2019.
2 – National Cancer Institute. Fertility Issues in Boys and Men with Cancer. Disponível em: https://www.cancer.gov/about-cancer/treatment/side-effects/fertility-men. Acesso em outubro/2019.
3 – Northwestern University/Oncofertility Consortium. Homens e câncer. Disponível em: http://oncofertility.northwestern.edu/resources/homens-e-c%C3%A2ncer. Acesso em outubro/2019.
4 – Journal of Clinical Oncology. Female reproductive health after childhood, adolescent, and young adult cancers: Guidelines for the assessment and management of female reproductive complications. Disponível em: https://ascopubs.org/doi/10.1200/JCO.2012.43.5511. Acesso em outubro/2019.
5 - Revista Brasileira de Hematologia e Hemoterapia. Preservação da fertilidade em pacientes com câncer. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-84842008000500014%20. Acesso em outubro/2019.
6 - Journal of Clinical Oncology. Fertility Preservation for Patients With Cancer: American Society of Clinical Oncology Clinical Practice Guideline Update. Disponível em: http://oncofertility.northwestern.edu/sites/oncofertility/files/legacy_files/asco_guideline_update.pdf. Acesso em outubro/2019

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