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O cuidador do paciente com câncer também pode precisar de ajuda

Há vários tipos de intervenções que podem trazer resultados positivos tanto para o cuidador quanto para o paciente.2

O cuidador do paciente com câncer também pode precisar de ajuda

É bastante comum que alguém da família ou um amigo assuma a responsabilidade e se torne o cuidador do paciente com câncer. Embora isso traga uma série de benefícios práticos e econômicos tanto à pessoa doente quanto para quem vive com ela, algumas medidas podem ser necessárias para diminuir a sobrecarga do cuidador informal e melhorar a qualidade de vida dele.1,2

Quais são os impactos emocionais no cuidador do paciente com câncer?

É possível que o cuidador do paciente com câncer crie demandas além do que pode suportar, o que pode trazer consequências psicológicas negativas. Alguns exemplos disso são ansiedade, depressão e até mesmo transtorno de estresse pós-traumático, o que pode afetar a qualidade dos cuidados que presta à pessoa com câncer e até mesmo sua capacidade de cuidar.2

Mas, por outro lado, cuidar de alguém pode ter consequências psicológicas positivas para o cuidador. Por exemplo:2

  • Desenvolver relações mais próximas com as pessoas;
  • Ter mais empatia;
  • Valorizar mais a vida e ter uma clareza maior sobre as prioridades dela;
  • Adotar hábitos mais saudáveis;
  • Ter mais fé.

Como diminuir o desgaste do cuidador do paciente com câncer?

Há vários tipos de intervenções que podem ajudar a diminuir a carga sobre o cuidador informal. Algumas delas são:

Terapia cognitivo-comportamental (TCC) - a base dessa terapia é o conceito de que a forma como alguém sente e reage a uma situação é determinada pela percepção que a pessoa tem dela. Então, o objetivo é ajudar a gerenciar pensamentos, emoções e a maneira de reagir3.

Terapia para casais e terapia familiar – o objetivo da terapia de casal é reforçar a capacidade de solucionar questões em conjunto, respeitando a individualidade de cada um4 e melhorar o relacionamento do casal.2 Já a terapia familiar trabalha pensando na globalidade e complexidade das relações familiares, com respeito pelas suas características e competências,5 e o objetivo é melhorar o relacionamento da família como um todo.

Terapia interpessoal (TIP) - também conhecida como psicoterapia, o objetivo dela é fazer a pessoa identificar, entender e dar sentido aos seus conflitos, corrigir as distorções que ela tem de si mesma, do meio que a cerca e melhorar suas relações interpessoais.6

Psicoeducação - usa instrumentos psicológicos e pedagógicos para ensinar o cuidador e o paciente sobre o problema de saúde e o tratamento.7 Ela aborda informações relacionadas a diagnóstico, prognóstico, enfrentamento, autocuidado, impacto no parceiro e na família, reabilitação etc.

Cada um desses métodos beneficia não só o cuidador, mas também a pessoa com câncer. Segundo os estudos recentes, essas intervenções ajudam a reduzir as consequências psicológicas dos encargos de cuidar, podendo trazer alguns resultados positivos, como:

  • Aprimoramento do conhecimento e da capacidade de prestar assistência do cuidador;2
  • Diminuição de angústia, depressão e ansiedade tanto do cuidador quanto do paciente;2
  • Suporte mais funcional para o paciente.2
  • Melhoria na autoeficácia do cuidador, ou seja, na convicção dele de que é capaz de cumprir determinadas tarefas;2
  • Melhoria na qualidade de vida de ambos, já que o aumento da saúde mental está associado a isso. Por outro lado, o sofrimento emocional e piora do desempenho do paciente estão associados à piora da qualidade de vida.8

 

Referências:

1 - Sales CA, Matos PCB, Mendonça DPR, Marcon SS. Cuidar de um Familiar com Cãncer: o Impacto no Cotidiano de Vida do Cuidador. Disponível em: https://www.fen.ufg.br/revista/v12/n4/pdf/v12n4a04.pdf. Acesso em: novembro/2019.
2 – PDQ Informal Caregivers in Cancer: Roles, Burden, and Suport. National Cancer institute. Disponível em: https://www.cancer.gov/about-cancer/coping/family-friends/family-caregivers-hp-pdq. Acesso em: novembro/2019.
3 – Wright JH, Basco MR, Thase ME. Princípios Básicos da Terapia Cognitivo-Comportamental. Disponível em: https://www.larpsi.com.br/media/mconnect_uploadfiles/c/a/cap_01_28_cc.pdf. Acesso em: novembro/2019.
4 – Cosata CB, Wagner A, Delatorre MZ, Mosmann CP. Terapia de Casal e Estratégias de Resolução de Conflito: Uma Revisão Sistemática. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/pcp/v37n1/1982-3703-pcp-37-1-0208.pdf. Acesso em: novembro/2019.
5 – Machado M. Compreender a Terapia Familiar. Disponível em: http://unesav.com.br/ckfinder/userfiles/files/Resenha%20do%20texto.pdf. Acesso em: novembro/2019.
6 - Mello MJ. Terapia Interpessoal: Um Modelo Breve e Focal. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rbp/v26n2/a10v26n2. Acesso em: novembro/2019.
7 - Lemes CB, Neto JO. Aplicações da Psicoeducação no Contexto da Saúde. Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-389X2017000100002. Acesso em: novembro/2019.
8 – Weitzner MA1, Jacobsen PB, Wagner H Jr, Friedland J, Cox C. .The Caregiver Quality of Life Index-Cancer (CQOLC) scale: development and validation of an instrument to measure quality of life of the family caregiver of patients with cancer. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/10457738. Acesso em fevereiro/2020.

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